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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Crédito para o Estado - actualização

Segundo este artigo do Público, a mais recente emissão de dívida portuguesa a 10 anos pagará 5,225% de juros e a 3 anos pagará 3,597%. Os elevados valores são, já se sabe, resultado do elevado deficit orçamental e outros factores que desconheço.

Por outro lado, ao longo dos últimos tempos o Governo decidiu ir baixando as taxas de juro pagas pelos Certificados de Aforro, seguindo a baixa geral de taxas de juro, nomeadamente como forma de relançar a economia. Assim, estes certificados estão a ser remunerados a 1% ou menos, como se pode consultar no site do IGCP, levando muitos aforradores a procurar outros invstimentos.

Ora a mim parece-me muito estranho que se opte por ir buscar dinheiro, aparentemente mais caro, ao estrangeiro, afugentando os particulares nacionais de emprestarem ao Estado, em especial num país que nos últimos anos sofre de baixíssimos índices de poupança.

Poder-se-á argumentar que nestes Certificados o aforrador pode resgatar o dinheiro a qualquer momento, não garantindo o prazo de 3 ou 10 anos, como as obrigações. Isso no entanto pode ser influenciado, criando-se outro tipo de certificados que dessem um determinado valor de remuneração (por exemplo, 3% a ano), mas que tivessem baixas remunerações ao longo do tempo (exemplo 1%), tendo apenas no último período uma elevada remuneração. A média, assim, daria os 3%, mas quem retirasse o dinheiro antes do tempo, teria uma baixa remuneração.

Devem existir outros factores que expliquem esta aparente preferência pelo crédito estrangeiro (talvez não desviar fundos do consumo para a poupança?), mas não sei quais. Agradeço a quem saiba que me explique esta estranha contradição.


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Um novo instrumento para particulares, os Certificados do Tesouro.
Ver aqui

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=429789

terça-feira, 18 de maio de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Medidas de Choque

O Governo prepara o terreno para aplicar medidas duras de combate ao deficit. Prepara-o como é hábito fazendo correr uns boatos, que prepararão o povo, e que depois serão formalmente anunciadas.


Pensei inicialmente que as medidas de captação de receita directamente dos vencimentos seriam aplicados sobre os trabalhadores do Estado, os funcionários públicos, pois o Estado é que tem a dívida (pelo menos a pública).










Mas, sendo certo que existem trabalhadores públicos a mais e que a sua produtividade deixa muito a desejar, o Estado não serve apenas os funcionários públicos e a dívida não lhes pode ser assacada só a eles. O desperdício, má gestão, ou seja o que for que gerou este descalabro, não terá aproveitado apenas os funcionários públicos, mas todos os portugueses (uns mais que outros, claro, mas isto é como todas as médias: eu comi um bife, o outro não comeu nada, em média comemos metade cada um).

Esta dívida é responsabilidade de todos. Como sempre digo, temos os políticos, os gestores, os juízes, a justiça que merecemos. Nenhuma das pessoas que ocupam estes cargos é importada ou subcontratada a outro país*. Todos eles são portugueses, saem e são parte do povo. Se não temos melhor, é porque não o exigimos e não exigimos o mesmo a nós próprios. Porque não nos associamos, porque corremos a gozar pontes sempre que possível, porque não criticamos os feriados extra dados pelo Governo, porque não fazemos manifestações de indignação pelo estado da justiça, porque aceitamos a cunha, a fuga ao fisco, porque admiramos os "espertos", os que conseguem enganar o Estado, etc, etc.










Assim, embora me custe ter que pagar, até porque não tenho dívidas, aceito que todos "paguem a crise". E como é hábito, o "todos" é relativo. Porque ganham pouco, lá ficarão de fora os profissionais liberais do costume, os empresários que ganham ordenado mínimo, mais valias de bolsa que pagarão 20% (?) contra taxas de até 45% sobre o rendimento do trabalho (e até agora ainda era pior: pode-se pagar 40% de IRS mas 0% sobre mais valias de bolsa).

E, de novo, temos o que merecemos.


* - Aqui está uma boa ideia: colocar a governação em outsourcing. Na Suécia ou na Alemanha, por exemplo.
Apesar de tudo, ainda continuo a pensar que não devíamos comemorar o dia 1DEZ.