segunda-feira, 14 de março de 2016

Concelho de Cascais: uma estreitíssima casquinha de civilização ao longo do mar

Ex.mo Senhor Presidente da Câmara de Cascais

Parede, 14MAR2016

Assunto: percurso pedonal da Escola 31 de Janeiro para o centro da Parede

Na Escola 31 de Janeiro (2 na Fig. 1) há cerca de 500 alunos, além de funcionários e professores.
Mais acima, existe o Centro de Saúde da Parede (1 na Fig. 1). Um pouco ao lado, os Bombeiros da Parede, com muitas actividades para a população. Deverão existir outros pontos de afluxo de pessoas na área, além dos habitantes daquelas zonas que têm também necessidade de se deslocar a pé.
O percurso a pé entre esta zona e o centro da Parede deveria ser funcional e seguro, por muitos motivos, mas também porque é no centro que está a estação da CP.
Deveria ser confortável e seguro para todos: não só para adultos, mas também para crianças, porque deve ser objetivo e é obrigação da Câmara criar condições para que as crianças possam circular sozinhas e seguras no espaço público.
Deveria ser um dos primeiros objectivos, ao se desenhar o espaço urbano, que uma criança de 10 ou 11 anos, pelo menos, possa percorrer esses espaços de forma autónoma e com segurança total. Esse deveria ser o teste para vias bem desenhadas e construídas. A Câmara estaria desse modo a dar um contributo eficaz para a sustentabilidade da comunidades, a promover a saúde das crianças ao estimular o exercício físico, a reduzir a imensa poluição atmosférica que se regista nas nossas ruas, e a ajudar as famílias pela autonomização crianças.
Fig. 1 – Zona em análise

Entre estes polos e o centro da Parede a deslocação a pé não é nem segura nem confortável. Apesar de apresentar vários percursos possíveis, não há um único aceitável para um adulto, quanto mais para uma criança, como mostrarei abaixo.
O trânsito é permitido em todas as ruas, largas ou estreitas, com ou sem passeios, com ou sem condições para peões. O automóvel é rei, tem acesso ilimitado a todas as ruas ou becos.
Não há nenhuma exclusividade para o peão, antes pelo contrário. O estacionamento tem sempre lugar, independentemente de existirem ou não passeios para os peões, ou existindo, se têm o mínimo de condições.
Os passeios são utilizados para tudo o que é necessário, em detrimento dos peões: caixotes do lixo, postes, sinais de trânsito. Os passeios são muitas vezes ridículos, levando as pessoas a circular pela estrada.


Desenhei 3 percursos entre alguns outros possíveis. São os percursos assinalados na Fig. 2.
É importante referir que estas fotografias foram tiradas num fim-de-semana. Se fosse num dia de semana, muitos dos passeios que se mostram livres teriam carros estacionados, nas zona em que que os pilaretes assim o permitissem. A situação é portanto ainda pior que a apresentada.

  • Percurso 1
    • Rua José Elias Garcia
    • Rua Heliodoro Salgado
    • Rua Latino Coelho ou Luís de Camões

  • Percurso 2
    • Rua José Elias Garcia
    • Largo 31 de Janeiro
    • Rua 31 de Janeiro

  • Percurso 3
    • Rua Paulo Falcão
    • Rua Barros Queirós
    • (ruas comuns ao percurso 1)
Fig. 2 – 3 percursos entre a Escola 31 de Janeiro ou Centro de Saúde e o centro da Parede

Percurso 1:


Poucos metros após deixar a Escola, e depois de provavelmente encontrar vários carros nos passeios, o peão deixa de ter passeio e tem que caminhar na estrada. Isto numa rua extremamente movimentada.
Fig. 3
Se optar pelo outro lado da rua, o cenário não é melhor: todos os metros sem pilaretes são convites ao estacionamento e os automobilistas não se fazem rogados.
Fig. 4
Mais abaixo, há que atravessar o cruzamento com a Travessa Paulo Falcão: o passeio de repente esfumou-se, não há passadeira, do outro lado é perigosamente estreito e para ajudar temos a receber-nos um sinal no meio.
Fig. 5

Continuando, o passeio volta a esfumar-se sem continuidade, sem nenhuma passadeira.
Fig. 6
Optando pelo lado mais calmo dessa rua, apesar de também ser domínio do automóvel, , nenhuma protecção ao peão.
Fig. 7
De seguida o cruzamento com a Av dos Bombeiros Voluntários. Uma confusão, os caixotes a ocupar o passeio praticamente no local da passadeira, o acesso à passadeira é estacionamento de automóveis.
Fig. 8
Entrando pela Rua Heliodoro Salgado, há um pequeno troço aceitável.
Fig. 9
Mas as coisas voltam ao normal logo a seguir:
Fig. 10
Continuamos a descer. A rua é estreita, urbana, residencial, mas há sempre espaço para circular de carro à vontade e estacionar. Para o passeio é o que restar, como aliás em toda esta zona. Não há nenhuma rua com prioridade ao peão.
Fig. 11
A seguir é o cruzamento com a R Luís de Camões. Apesar de haver bastante espaço, para o tipo de ruas, o espaço para os peões continua a ser os restos, medíocre, sem continuidade de passeios, sem passadeiras, sem protecção. Apesar dos passeios serem estreitos, há sempre oportunidade para colocar um sinal de trânsito e os pilaretes estão inclinados para fora, reduzindo-os ainda mais.
Fig. 12
Em vez de um passeio decente, há estas duas imitações.
Fig. 13
O resultado é as pessoas utilizarem a estrada para terem algum conforto, mesmo à custa da sua segurança
Fig. 14

Percurso 2


Pelo percurso 2 a situação é razoável se o peão se deslocar pelo lado direito da Rua Paulo Falcão, no sentido descendente. Se porém quiser ir pelo lado esquerdo terá que seguir sempre pela estrada, pois o passeio está sempre cheio de carros
Chegado ao cruzamento com a R Dr. Flávio Resende, para descer a R Barros Queirós, é este o cenário para aceder à passadeira, numa zona que é de pouca visibilidade mas elevada velocidade para os carros que surgem da Av dos Bombeiros Voluntários:
Fig. 15
A Rua Heliodoro Salgado, que que poderia ser um excelente percurso pedonal, como alternativa à Rua Elias Garcia, é péssima: passeios estreitos, interrompidos, com carros em cima dos passeios em todos os locais onde não há pilaretes, passeios esventrados (em boa parte pelos automóveis).
Mas como em todas estas ruas, há sempre espaço para circulação automóvel e para estacionamento (que é dos dois lados, desde que não haja pilaretes)
Fig. 16
Chega-se depois ao largo de cruzamento com a Rua Heliodoro Salgado, que já foi descrito no Percurso 1.

Percurso 3


Atravessando a Av dos Bombeiros Voluntários, o peão vai ter que mudar de passeio, porque este deixa logo ali de existir. Mais abaixo terá que voltar a atravessar  arua, caso contrário fica num parque de estacionamento. Não esquecer que este é um percurso que deverá ser possível a crianças e esta rua tem imenso trânsito. Em 20 metros, terão 3 passadeiras em ruas de elevado trânsito, uma delas sem semáforo, um outra em que os carros têm que ceder passagem, mas podem passar com luz verdes para os peões.
Fig. 17
Continuar pela Rua José Elias Garcia até à Rua José Relvas, será a solução mais segura, mas também a menos agradável e saudável, dado o elevado trânsito.
A malha de ruas estreitas e residenciais é uma oportunidade excelente para criar percursos pedonais seguros e ao mesmo tempo agradáveis. Como exemplo, a Rua Octaviano Augusto, ali perto, que apesar de ter trânsito automóvel (e estacionamento abusivo), está restringida aos moradores e, por isso, resulta numa rua com boas condições pedonais.
Para continuar na Elias Garcia, porém ainda é necessário atravessar o cruzamento com o Largo 31 de Janeiro: sem passadeira e com um contentor a receber-nos do outro lado.
Fig. 18
Continuando o percurso 3, é isto que nos espera logo mais abaixo num cruzamento: todo o espaço para os carros, nenhumas condições para os peões. E do outro lado, a mesma coisa:
 
Fig. 19
Para finalizar, a Rua 31 de Janeiro. Do lado esquerdo um passeio sofrível, do outro o costume:
Fig. 20

Conclusão


Apesar de haver uma malha de caminhos entre a Escola 31 de Janeiro (ou a zona envolvente) e o centro da Parede, onde se situa nomeadamente a estação da CP, não há um único percurso confortável, digno e seguro para os peões. Em vez disso há uma invasão de todas as ruas, avenidas, becos e travessas pelos automóveis, independentemente da largura das vias, das suas condições de segurança ou da sua tipologia. A Câmara não assegura nenhum caminho de continuidade, com exclusividade ou grande prioridade para os peões.
Este percurso tem que se tornar seguro e acessível para crianças. É responsabilidade da Câmara assegurar equidade de deslocação em segurança aos cidadãos, desloquem-se estes a pé, de bicicleta ou de automóvel, mas há um desequilíbrio notável em favor dos automobilistas no concelho de Cascais e nesta zona em particular. As pessoas, e em especial as crianças, têm o direito de se deslocarem sem constantemente arriscarem a sua integridade física nas ruas do concelho e da Parede.
Solicito por isso ao Sr. Presidente e à Câmara de Cascais uma solução e respectivo prazo de implementação que permita que todos, incluindo crianças, possam fazer esta deslocação, como é seu direito.


sexta-feira, 4 de março de 2016

Se o ridículo matasse

Hora de almoço no Beato, aparecem dois guardas republicanos a cavalo.
Param a frente de um restaurante, onde está um carro em cima do passeio e em cima da passadeira.
Perguntam de quem é o veículo, lá vem o dono tirá -lo.
Tudo perfeito.
Exceto que à volta o passeio está pejado de carros, vários dos quais obrigam o peão a andar pela estrada.
O peão não poder atravessar na passadeira? Nem pensar!
Que logo a seguir tenha que circular pela estrada, tudo bem.
...



terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

35h de trabalho

Os funcionários públicos estão tramados. Nem percebem o tiro que estão a dar nos pés.
De 40 horas de horário - os que ainda o têm - vão passar a trabalhar 35. Será uma revolução na produtividade, pelo que vão sobrar muitos funcionários - aumento do desemprego.
Faziam muito melhor em estarem quietinhos e caladinhos, continuarem a ter horário de 40h e trabalharem talvez umas 20.
Ou se calhar estou a perceber mal.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Mobilidade pedonal em Cascais - inconsistência de práticas

Há pouco mais de um ano, talvez, este troço da Avenida da República, na Parede, sofreu uma intervenção que lhe retirou uma faixa de estacionamento para criar uma nova faixa de rodagem. A zona ficou assim com duas faixas. Os automobilistas beneficiaram, circulam agora de modo mais fluído. Mais uma zona de velocidade facilitada.

Agora vejamos o tratamento dado aos peões.
Ao mesmo tempo que noutras zonas do concelho, nomeadamente na Parede, se fazem intervenções para transformar lancis em rampas nos passeios (e bem), aqui o peão é presenteado com 3 degraus num curtíssimo espaço (alem de um contentor de lixo, logo para começar) . Isto depois de intervenção na zona, repito.


Quem tem a experiência de empurrar carros de bebé, ou cadeiras de rodas com adultos, sabe o esforço adicional que representam estes degraus com que os desenhadores das nossas ruas nos presenteiam a cada passo. É preciso encostar a roda da frente ao lancil e parar. Fazer um esforço de alavanca e subir a roda da frente. Depois, encostar a roda de trás ao lancil e parar de novo. Voltar a fazer o esforço de elevação e finalmente avançar. Repita-se isto dezenas de vezes num percurso só. Há avós que já não o consegiuem fazer. Parace pouco, mas apenas para quem só anda de carro, como parece ser o caso de quem nos desenha as ruas.

Estes lancis deveriam representar um degrau zero. Mesmo quando são feitas as ditas rampas, muitas vezes fica 1 ou 2 centímetros. Mesmo este pequenoi degrau significa um esforço, pois quem empurra não quer que quem é empurrado sinta solavancos. Não se percebe a necessidade deste degrau, que não tenho visto em cidades que verdadeiramente têm em conta dos peões.

Claramente na Câmara Municipal não há um manual de normas a cumprir ao desenhar passeios e ruas. Quem quer faz bem, quem quer faz mal. De um lado gasta-se dinheiro a corrigir, enquanto ao mesmo tempo, noutro lado, se faz novo e mal.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Déficit de rua

Há 40 anos este baldio seria a delícia e o domínio das crianças.
Hoje os pais não as deixam sair de casa, e elas, agarradas aos seus milhentos brinquedos, também não querem.
Hoje o baldio é a triste casa de banho da praga que são os cães.

domingo, 24 de janeiro de 2016

ISP

Os cartéis da droga e os fabricantes de tabaco sabem bem o que são vícios e como os explorar. Os primeiros não têm que fazer nada, além de correrem os riscos do seu negócio fora da lei. Os segundos, dentro da lei, combatidos mas muito tolerados, lá adicionam mais umas substâncias para não correrem o risco de perder os fumadores.
Os Estados não ganham com os primeiros, mas ganham bastante com os segundos, pelo menos no curto prazo.

O governo vai agora explorar mais um pouco um terceiro grupo de viciados, os viciados em petróleo. Faz bem. Faria melhor em promover a libertação desse vício, mas isso já seria exigir muito e estaria muito longe do curto horizonte de um orçamento de estado de cada vez. Antes explorar esse vício que carregar no irs, Iva, imi. É que para o carro e para a televisão nunca falta o dinheiro.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Mobilidade em bicicleta em Cascais - exposição ao Presidente da Câmara

Carta enviada ao Presidente da Câmara de Cascais.
Passados 2 meses ainda não houve qualquer resposta.

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Ao Exmo. Senhor Presidente da Câmara de Cascais

14 de outubro de 2015

Texto em http://www.eu2015lu.eu/en/actualites/articles-actualite/2015/10/07-info-transports/index.html:

The European Union (EU) Ministers of Transport and Secretaries of State in charge of this competence met in Luxembourg on 7 October 2015 for an informal meeting devoted to cycling as a method of transport
[…]
Recalling that bicycles are the most effective method of transport for distances of less than 7 km, Minister Bausch declared that they were an essential part of all multimodal transport systems. Furthermore, they can greatly improve the mobility and quality of life of 75 % of the European population who live in urban areas, which suffer from pollution, noise and heavy traffic, specified the Minister.
[…]
The Ministers and Secretaries of State signed a declaration on cycling as a "climate friendly" transport mode
Following the Council, the Ministers and Secretaries of State unanimously adopted a declaration on cycling as a "climate friendly" transport mode. "I am happy that everyone pronounced themselves to be in favour of the declaration and I will inform the formal Transport Council of this during their meeting tomorrow", indicated François Bausch.
In their declaration, the participants agreed on several concrete recommendations:
·         Integrate bicycles into the multimodal transport policy;
·         Encourage the Commission to equip itself with a "bicycle strategy", by integrating bicycles into existing initiatives in which they have a logical role to play, such as CIVITAS or Smart Cities and Communities;
·         Set up a body within the Commission which is in charge of the implementation of the "bicycle strategy" as well as the simple and effective transfer of good practices in this field between Member States;
·         Appoint a national body in each Member State which could collect and disseminate examples of good practices between Member States and cooperate with the European body and other existing forums;
·         Guarantee that national infrastructure projects take account of and increase international, national, regional and local cycle networks;
·         Include cycling in local and regional urban projects;
·         Mobilise good practices, financing opportunities and guidelines by working closely with the European body.

For Commissioner Bulc, it is an "important basis" on which Member States will be able to cooperate and the Commission will follow its development very closely. "From now on, bicycles are an official method of transport", she declared.


Exmo. Senhor Presidente,

Gostava de chamar a sua atenção para aquilo que se vai passando pela Europa em termos de mobilidade em bicicleta, assim como em muitas cidades e vilas portuguesas. Exemplo de Lisboa, para não ir mais longe.
Eventualmente Cascais estará a estudar o tema e terá planos de desenvolvimento nesse âmbito. Que eu conheça, porém, e apesar de muitas sugestões nesse sentido, sei apenas de intenções: uma ciclovia na Quinta do Barão, julgo que sem prazo; previstas boas condições para circulação de bicicleta na futura Quinta dos Ingleses, mas igualmente sem prazo e apenas no seu interior, faltando o entrosamento com as zonas limítrofes; a intenção expressa no PDM, mas, que eu saiba, sem planos concretos de implementação.
De concreto, posso apenas referir o troço isolado de ciclovia na nova Avenida Conde de Riba d’Ave, na Rebelva. Não considero a ciclovia do Guincho porque não é o lazer que me interessa promover, mas sim a função utilitária da bicicleta.

De facto e do que tenho visto até agora nas diversas interações com os serviços da CMC, as intenções neste sentido não passam disso mesmo e eternizam-se.
Em 2012 recebi esta informação da CMC, no âmbito da minha mensagem à CMC “Proposta para circulação de ciclistas em Carcavelos/Parede - GDCC 61538”:
“É com agrado que ao analisarmos a sua proposta OP 2011, verificamos que as ciclovias coincidem com as nossas propostas, nomeadamente:
- Ciclovia interior S.João/Carcavelos – alternativa ciclável à Av. Marginal, que liga as quatro estações de comboio (S. João, S. Pedro, Parede e Carcavelos), com ligação ao paredão em S. João;
- Ciclovia integrada no P.P. Carcavelos-Sul – integra a proposta de reconversão urbanística da “Quinta dos Ingleses” e zona envolvente;
- Ciclovia integrada no P.P. Quinta do Barão - integra a proposta de reconversão urbanística da “Quinta do Barão” e zona envolvente, com ligação à Via Longitudinal Sul;
Estas propostas integram uma Carta Temática que abrange todo o território concelhio, a denominada rede primária de modos suaves, e integra o processo de revisão do PDM Cascais. Salientamos que a principal premissa dos estudos realizados até então, é a de dar uma resposta capaz de utilizar os modos suaves nas deslocações diárias – casa, emprego, escola, compras, etc., e não uma resposta virada para o lazer.”

Passados 3 anos, e no âmbito de uma outra proposta minha (que já vem de 2013, E-DMGI/2015/7176, “Proposta para passeio na Avenida da República, Parede DMGI-2013-7962”, os planos continuam a médio prazo:

 "conforme informação prestada pela Divisão de Obras de Vias e Infraestruturas , mantém-se a intenção em podermos promover a intervenção pretendida. No entanto e porque no âmbito dos objetivos a médio prazo da CMC há a pretensão em promover traçados de vias clicáveis e pedo vias, certamente que a situação em apreço irá poder merecer avaliação e eventual integração em objetivos mais vastos."

Qual é o horizonte deste médio prazo?

Gostaria de sugerir que Cascais corre o sério risco de perder competitividade na captação do turismo endinheirado com origem no centro e norte da Europa. Esses visitantes têm pouca tolerância para o sufoco de trânsito do concelho e da vila de Cascais, com a profusão de carros nos passeios, o ruído e o fumo constantes (só o nota quem anda a pé junto das estradas e ruas; dentro dos automóveis os filtros disfarçam essa poluição constante que nos entra nos pulmões).  Cascais tornou-se uma cidade dos carros, ao invés de uma cidade das pessoas.
Quanto aos residentes, julgo que a situação atual agrada à maioria. Levam o carro para toda a parte, estacionam à porta de casa, mesmo que com isso dificultem o acesso aos vizinhos, entopem as redondezas das escolas, colocando os filhos dos outros em risco de atropelamento, enchem todos os passeios à volta das estações do comboio e nos centros urbanos. Concebem este modo de deslocação como parte fundamental da qualidade de vida que o concelho publicita.
Penso porém que, gradualmente e vendo os exemplos de outras regiões, nomeadamente a evolução que Lisboa está a fazer, os habitantes de Cascais começarão a perceber o sufoco do trânsito automóvel e as más condições de mobilidade para quem não o quer usar, e também entre estes Cascais perderá atratividade.
Gostaria de chamar a sua atenção para um exemplo que conheci recentemente, Vilamoura, o qual descrevi neste texto http://diaummais.blogspot.pt/2015/10/vilamoura.html . Trata-se naturalmente de um exemplo limitado e isolado, quando consideramos cidades holandesas, alemãs, belgas, suecas, dinamarquesas... Não tenho dúvidas que o Sr. Presidente conhece muitos exemplos no estrangeiro; deixo-lhe, porém, aqui a minha impressão de Gent, fruto de uma estada recente (em http://diaummais.blogspot.pt/2015/07/o-que-podemos-aprender-com-os-belgas-de.html)

Percebo que o tempo não seja de grandes investimentos. A introdução de ciclovias e a criação de condições para circular de bicicleta ou a pé em segurança e conforto,  no entanto, na maior parte das vezes  não exige grandes investimentos. Exige sim uma estratégia de planeamento alinhada nesse sentido e atenta a todas as oportunidades.
Poderá ser suficiente a acalmia de trânsito aquando de uma remodelação, com a redução da largura das vias, redução dos raios de mudança de direcção ou colocação de lombas nas passadeiras. Ou a pintura de marcas delimitadoras de ciclovia em vias largas - exemplo da Avenida da República na Parede, que tem largura em excesso mas passeios péssimos, induzindo velocidade demasiado elevada. O nó de São Domingos de Rana acabou de ser remodelado. Foi aproveitada a oportunidade e considerada alguma facilitação da circulação em bicicleta?
Neste preciso momento a Rua de Santarém está em obras. Esta rua sofre de excesso grave de velocidade, apesar do sinal de máximo 30 km/h. É larga em certa zona, mas o passeio é medíocre. A intervenção em curso vai resolver isto? O excesso de velocidade pode ser resolvido por fiscalização, que não existe no concelho, ou por desenho da via (no passado tentei que fosse colocada uma lomba, mas os serviços da CMC recusaram, apesar de continuarem, e bem, a colocar noutros locais, como exemplo um pouco acima, na Estrada da Rebelva). Assim que me apercebi da intervenção, abri o pedido E-DMGI/2015/7254 para que fosse aproveitada a obra para com pequeno (ou talvez nenhum) investimento adicional, fossem melhorados o passeio e a segurança para peões e ciclistas. Receio, porém que tal não aconteça.

Gostaria ainda de referir que, criadas algumas condições (que como tento sugerir acima, não passam necessariamente pela criação de ciclovias formais), haveria muitas pessoas a circular em bicicleta e a pé, criando um ciclo virtuoso de maior segurança e cada vez mais utilizadores.
No primeiro orçamento participativo, na sessão de Carcavelos, 7 das 26 ideias que subiram a plenário eram relativas a bicicletas. Existe portanto procura.
Ao longo dos anos já enviei à CMC diversas sugestões neste âmbito, que terei todo o gosto de enviar novamente (exemplos em http://diaummais.blogspot.pt/2009/11/uma-proposta-para-circulacao-ciclista.html ou http://diaummais.blogspot.pt/2015/06/mobilidade-saudavel-para-carcavelos-uma.html)

Gostaria de ver Cascais na vanguarda desta revolução inevitável, na qual Portugal se destaca pela negativa, continuando a promoção das deslocações em automóvel, com  as graves consequências que se vão conhecendo todos os dias. Infelizmente, porém, mesmo no panorama nacional Cascais e Oeiras persistem em ficar na cauda. E lamento-o em especial por ser o concelho onde vivo e onde os meus filhos crescem, um concelho que não protege quem não quer ou pode andar de carro.

Agradeço a Sua atenção e desejo que envide os Seus melhores esforços para que Cascais promova a deslocação a pé e de bicicleta em segurança e conforto.
Melhores cumprimentos


João Pedro Fernandes

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Português técnico

Este é um exemplo real dos muitos que se vêem por escrito todos os dias em ambientes de trabalho técnico.


"o que voces consideram em fazer deves enquando?"


Por difícil que possa parecer, a frase acima deve ler-se

"O que entendem vocês por «fazer de vez em quando»?"

"recebes te o mail com o anexo?"

"existi-o um teste"  [em vez de existiu]

"decorrer dos testes deles existi-o packet loss"

Difícil, de facto.
O outro fez o exame de inglês técnico ao domingo; estes nem devem ter ido às aulas de português.