Qual terá sido a razão para colocar aqui este verdadeiro xilofone matraqueante?
Já teriam em mente retirar daqui o trânsito?
Qual terá sido a razão para colocar aqui este verdadeiro xilofone matraqueante?
Já teriam em mente retirar daqui o trânsito?
Acho que vale a pena copiar este belo texto de http://asminhasbicicletas.blogspot.pt/2015/05/observando-urbe.html?m=1
Infelizmente esta avenida é apenas uma entre muitas que de avenidas têm pouco, de via rápida, muito. E não falo da segunda circular, que essa tem direito a ser via rápida.
Sao as avenidas da Liberdade, República, Estrada da Luz, centro de Cascais, etc, etc. Os exemplos não têm fim.
" Observando a urbe
Tenho andado com uma maleita no pé direito e como tal na passada segunda e ontem terça vim na minha scooter ao invês de vir de bicicleta.
Ao final do dia, já à vinda para casa e depois de uma paragem rápida para fazer umas compras de última hora na Avenida António Augusto Aguiar em Lisboa, eis que a minha companheira decide que não quer ligar... a bateria morreu!
Bom, eu pago seguro para alguma coisa pelo que telefonei para o número da seguradora para ativar a assistência em viagem. Correu tudo bem, o normal, mandaram vir o reboque e um taxi para me levar a casa. Como era final do dia disseram-me que ia demorar uns 30m, estive à espera 1 hora (entre as 19h e pouco até às 20h e tal).
Sentado a ver a urbe a palpitar, eis o que posso aferir por simples observação...
A Avenida António Augusto Aguiar é, parcialmente, uma autêntica auto-estrada.
O trânsito motorizado automóvel e de duas rodas flui a velocidades elevadas para uma artéria dentro da cidade - bem mais de 50kms/h.
Muitas pessoas vão a conduzir ao telemóvel, e num momento vi quatro carros seguidos com os condutores a mexer no telemóvel (navegar no facebook? instagram? sms's?).
Vi um senhor a ler o jornal e a conduzir, I kid you not.
A grande maioria dos carros leva apenas o condutor.
Da grande maioria de carros só com o condutor a maioria são senhoras, verdade!
Dos carros que levam casais tipicamente é o homem que conduz.
Dos carros que levam crianças tipicamente é uma senhora que os conduz.
Passaram poucos carros com a lotação cheia.
Em 1 hora passou um Porshe e um Lamborghini (acho que era) que tinham umas grandes bufadeiras a largar barulho - mas não existe lei do ruído?
Passaram imensas motinhas, scooters e motões, alguns a fazer muito barulho - mas não existe lei do ruído?
Em uma hora passaram uns 3 ou 4 autocarros de transportes públicos, e um deles era basculante e nem metade da ocupação levava. Passaram vários autocarros turísticos.
Sentado onde estava via os peões a caminhar cabisbaixos nos passeios pois a calçada portuguesa é traiçoeira e existem imensos obstáculos (postes, caixotes do lixo, etc).
O passeio é ridiculamente pequeno comparado com as 8 faixas de alcatrão mais uma faixa de estacionamento para os automóveis. As motas também não tem muito estacionamento legal pelo que pontilhava uma ou outra em cima do passeio.
Os semáforos fazem com que os carros acelerem para queimar os vermelhos, em uma hora ouvi umas 5 vezes travagens a guinchar os pneus. E assim que caí o verde saem num disparo como se fosse o início de uma corrida.
Os peões atravessam nos vermelhos e muitas vezes "atiram-se para a estrada" (dixit Barbosa) a correr onde nem há passadeiras, alguns ao telemóvel e distraídos.
O ar que se respira é pesado, sem grandes áreas verdes, e os níveis de ruído elevado (para conseguir falar ao telemóvel tive de me resguardar na entrada de um prédio).
E o que é que isto tudo tem a ver com bicicletas...hmmm?
Que no meio desta babilónia urbana fiquei deveras surpreendido por ter visto passar umas duas dezenas de bicicletas nesta artéria agressiva.
Verdade verdadeira! Mais vinte bicicletes!!
Três delas passaram em cima do passeio (ainda lhes "rosnei").
Quase todas era malta vestidinha do dia de trabalho a ir para casa ou para outros afazeres... Impressionante!
A arriscarem a vida naquela "auto-estrada" com os automóveis em pura condução agressiva e excesso de velocidade...
Mas lá está, tudo homens dos 20 aos 50 anos.
Se calhar isto corria melhor se houvessem mais infraestruturas, redução de vias de trânsito motorizado, diminuição do limite de velocidade, mais fiscalização.
Existe a vontade, o povo quer, mas quem manda e decide tem de criar as condições..."
Se o meu patrão quiser dar-me um aumento de 100€, terá que gastar 122, para pagar a TSU.
Como sou rico, depois do IRS fico com uns 52€. Mas ainda falta descontar a TSU.
Por isso, dos 100€ iniciais, levo para casa cerca de 42.
Qual o incentivo a trabalhar mais para ganhar mais? O meu objectivo é trabalhar menos e ganhar mais tempo.
E se a seguir pegar nos 42€ para comprar umas calças, o comerciante fica com 34€, depois dos 23% de IVA.
O meu patrão gastou 122€, mas eu só consegui colocar 34€ na economia, na forma de consumo....
Há já vários anos que tenho uma chávena de café de louça no escritório.
Bebo em geral 2 cafés por dia. Com cerca de 230 dias úteis por ano, são 460 copos de plástico que não utilizo.
Também utilizo uma garafa de plástico, que substituo de mês a mês, para beber água. Estimo que sem a garrafa utilizaria pelo menos 2 copos de água de plástico por dia. Mais 460 copos por ano.
Ainda tenho uma caneca para beber chá. Neste caso estimo uma poupança de 1 copo por semana, 48 copos por ano.
No total, evito o consumo de cerca de 1000 copos por ano.
Parece pouco.
Mas se mil colegas meus fizessem o mesmo, seria 1 milhão de copos por ano.
Se o mesmo fosse feito em 1000 empresas, seriam 1000 milhões de copos por ano.
E que tal passarmos das palavras ao atos? Só depende de cada um fazer o mesmo.
Este é mais um caso grave, a juntar a outros. Mas que incomoda pouca gente, na inconsciência em que as pessoas estão relativamente aos temas do direito à privacidade.
Grave, primeiro porque se trata de, uma vez mais e de forma evidente, tratamento desigual entre os importantes e os outros. Uma lei para uns, outra lei para outros. Ou melhor, uma lei só para uns, que os outros escapam-lhe.
Segundo porque parece evidenciar o total descontrolo do acesso a dados confidenciais, como eu acho que é a norma em Portugal. Algo que não diz nada à maioria das pessoas, mas que é gravíssimo.
Na minha opinião há neste caso matéria de ilegalidade relativamente ao primeiro ponto, ao se tratarem cidadãos de forma desigual, e pelo menos negligência relativamente ao segundo.
Vamos ver se dá alguma coisa além de umas inócuas demissões.
Os brasileiros saem à rua para protestar contra a corrupção.
O Brasil não é de facto conhecido pela sua transparência (teve um bom professor?). Mas será que a gravidade dos casos lá é maior que cá, fazendo a necessária correção pelo tamanho do país e da economia?
Quantas vezes é que já fomos para a rua protestar por casos aos quais não foi feita justiça?
(Vale a pena listá-los, só aqueles que vêm à luz do dia?)
Enquanto não chega de forma evidente ao bolso, o portuga não quer saber, quem rouba o Estado é pouco menos que um herói. Só quando começa a haver cortes visíveis é que o povo sai para a rua. Tarde demais, claro.
"Veio a pé?", pergunta-me a senhora.
"Sim", respondi, "é perto".
A "viagem" é de 950m, medidos no Google Maps, e ela sabe o percurso. Não estava a chover, eram 20h, trata-se de uma zona urbana sem nenhum perigo.
"Coragem!", exclamou ela.
Que espécie de coragem será esta a que ela se refere?
Como me sinto deslocado neste país de intoxicados pelo carro.
Como isto me amargura.
Partcipei numa visita guiada de 3 horas em meio urbano. O grupo passou por dezenas de carros estacionados nos passeios, alguns dos quais a obrigarem a circular pela estrada. Não observei nem ouvi nenhuma alusão a este facto. É algo socialmente tolerado, razão pela qual a polícia também não tem nenhum incentivo para fazer cumprir a lei.
Quase no fim, um pequeno grupo de ciclistas passou num vermelho e logo se geraram reacções, que têm todos os direitos e nunhuns deveres, que ocupam a estrada marginal em hora de ponta (como se isso fosse necessário para haver bicha todos os dias), etc, etc.
Naturalmente que os ciclistas não estavam a respeitar. Mas esta assimetria de critérios, que já senti imensas vezes na primeira pessoa, é uma triste marca da nossas maneira de pensar em relação a isto.
Já tínhamos os carros e os cães, faltava mais esta praga em Lisboa.
Ao menos poder-se-ia ter imposto que fossem elétricos; assim, são mais outra carga poluente. Com o tempo e a falta de manutenção, podem tornar-se noutros táxis.
..."abrira concurso para uma cadeira de substituto na Escola, e preparava-se para ele."...
"Mas a certeza da sua superioridade não o tranquilizava -- porque enfim em Portugal, não é verdade?, nestas questões a ciência, o estudo, o talento são uma história, o principal são os padrinhos! Ele não os tinha -- e o seu concorrente [...] era sobrinho de um director-geral "....
"Por isso ele trabalhava a valer, mas parecia-lhe indispensável meter também as suas cunhas! Mas quem?"
O Eça, há130 anos. Outro país, claro. E quem acha o contrário é pessimista.