sexta-feira, 23 de março de 2012

Mobilidade

Aqui está um trabalho útil em prol da mobilidade, mas daquela que interessa, a dos peões.

Assim conseguem-se atravessar passadeiras facilmente com carros de bebé, compras ou bicicletas.


Há uma campanha para fazer estas rampas em Oeiras, benvinda.


Não percebo é porque se insiste em manter o lancil entre os tijolos e o alcatrão. Fica quase sempre um degrau desnecessário e que continua a ser um obstáculo para cadeiras de rodas, por exemplo.

Seria preferível terminar a rampa no alcatrão e não no lancil.

Acabar com as calçadas também era boa ideia. Muito bonitas e tradicionais e etc, mas uma porcaria para aquilo que interessa, que é andar, mercê do desleixo a que são votadas. Depressões, altos, buracos....


Ah: e os tijolos coloridos também são úteis. Assinalam aos automobilistas onde subir aos passeios com facilidade.


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segunda-feira, 12 de março de 2012

Mas que alternativa é esta?

Sempre que a TSF está a relatar futebol, é certo que a Antena 1 também está.

Antes das 9 da manhã, notícias do país-futebol. Depois das 12:30, mais notícias (?) do mesmo futebol. À tarde e à noite, mais e mais. Que enjoo!! Um dia destes a pergunta era se o treinador fulano dormia bem antes do jogo xpto.

E sempre em concorrência directa, a cobrirem a emissão uma da outra.


Se os privados já o fazem, e bem (e são pelo menos a TSF da RR), para quê gastar recursos públicos a fazer o mesmo?

Se o argumento é a emissão de futebol para os portugueses no mundo, também não colhe: nesse caso, a Antena 1 que pague a utilização dos relatos aos privados.


Depois, senhores RTP, admirem-se que o povo não defenda a manutenção da empresa na esfera pública.


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sexta-feira, 9 de março de 2012

Lágrimas de crocodilo

Conversa entre vizinhos de um prédio de 2 andares.
Um lamentava-se de que, desde que mudara de local de trabalho, que era na Baixa de Lisboa e deixou de ser, a deslocação diária é da garagem de casa até à garagem do emprego (e volta). Que está a engordar, tem que ter cuidado, não faz exercício, etc e tal.
Ainda assim, nunca o vi sair de casa sem ser de carro e nunca o vi subir ou descer pela escada para o primeiro (!) andar (ahh, mas o prédio tem cave....). Sempre de elevador.


Outro idem: sempre de elevador para cima e para baixo, incluindo quando está a sair para o ginásio, apesar de dizer que subir e descer escadas faz bem. Também raramente o vi sair de casa a pé.


Tudo isto num prédio inserido numa zona urbana e com apenas 2 andares.


Sem palavras...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O que o portuga quer

O que o portuga quer é estacionar o carro a 10 metros da porta de casa.
5, se for possível.


O portuga quer lá saber de urbanismos, passeios, mobilidade pedonal ou espaços verdes.
Bom, de espaço verdes ainda quer saber alguma coisa, porque o cão tem que defecar algures e o passeio é pouco confortável para o canídeo - mas também serve, à  falta do "espaço verde". Ele até nem frequenta muito os passeios... excepto para o cão defecar, bem entendido, mas nessas alturas anda com cuidado.


O portuga quer é largar o carro onde mais lhe convier, para lhe evitar dar uns passos a pé. Para casa, para deixar o filho na escola, para ir beber um copo, para ir comprar um alfinete.


Nem que seja para o ginásio, onde vai suar forte e feio. Mas isso é no ginásio, não é do carro para o ginásio e do ginásio para o carro.
Cada coisa no seu lugar, isso é coisa assente para o portuga, nesta espelunca à beira mar plantada.





sábado, 19 de novembro de 2011

Bicicletas em Cascais

...são apenas para vista... Ficam bem em projectos de encher o olho e revista publicitárias da Câmara.






Como contei antes, 90 pessoas no plenário de Carcavelos aprovaram duas ideias, uma delas relativa a criar condições para andar de bicicleta.
De facto, das 90 ideias iniciais, 26 subiram ao plenário, sendo que 7 delas estavam relacionadas com as bicicletas. Parece-me um número significativo.




Depois seguiu-se a análise técnica feita pela Câmara Municipal: as aprovadas seguiram para a votação que está agora em fase final, as outras foram para o lixo.


A proposta de circulação ciclista vencedora em Carcavelos mereceu esta justificação de rejeição pela CMC:




A proposta que apresentou visa a criação de uma rede ciclável que una os três centros das localidades.
Infelizmente após a análise técnica e financeira da sua proposta, a mesma não foi seleccionada para a fase de votação do Orçamento Participativo porque a rede viária não reúne as condições de segurança rodoviária necessárias para a implementação da mesma considerando-se apenas viável o prolongamento da via ciclável existente na Av. Jorge V até ao Jardim Pinhal do Junqueiro





É claro que a rede viária  não reúne as condições necessárias: se reunisse, não seria preciso apresentar esta proposta e vê-la ganhar no plenário!




Em gritante contraste, porém, a proposta que prevê a instalação de um sofisticado sistema de aluguer de bicicletas chegou à fase de votação. Mas se não há condições na rede viária, estas bicicletas servirão para quê???




(lista de projectos não seleccionados pela CMC para a votação final)



Orçamento participativo - apelo ao voto

Já faltam poucos dias de votação para o Orçamento Participativo de Cascais de 2011/12. Todas as pessoas que de algum modo se interessam por este concelho podem votar.

Dos vários projectos que chegaram a esta fase, seleccionei dois (podem-se consultar todos aqui), pelo seu potencial estrutural e abrangência concelhia:



Projecto 17 - Hortas comunitárias para o concelho (incluindo AUGIs)

Cascais

Espaço Agrário

Hortas comunitárias para o Concelho (incluindo AUGIs)
A proposta propõe a construção de hortas em terrenos municipais abandonados, geridas por Associações de moradores ou a designar. Além de legumes frescos e mais saudáveis, a iniciativa visa ajudar as famílias envolvidas na melhoria do orçamento familiar e permite aos jovens contacto com a terra e a agricultura de uma forma lúdica e agradável.



Projecto 24 - Sistema de bicicletas públicas

Cascais

Espaço Público

Sistema de bicicletas públicas
A proposta prevê a criação de vários pontos estratégicos para depositar e recolher bicicletas (na CMC ou juntas de freguesia mediante o pagamento de um depósito). O sistema necessita apenas de um cartão com chip. Este sistema funciona como alternativa ao transporte público convencional.




O primeiro tem imenso interesse e a sua descrição justifica a minha escolha: "Além de legumes frescos e mais saudáveis, a iniciativa visa ajudar as famílias envolvidas na melhoria do orçamento familiar e permite aos jovens contacto com a terra e a agricultura de uma forma lúdica e agradável."

O segundo tem o potencial de forçar a criação de condições para a circulação mais generalizada de bicicleta.

Acontece que não me parece se necessário um tal sistema, num concelho como o de Cascais.
É possível estacionar facilmente a bicicleta, é possível transportá-la no comboio. Não existe a necessidade de trocar de transportes públicos numa mesma viagem, levantando a bicicleta num ponto para a deixar noutro, como acontece numa grande cidade.
Assim, promover a bicicleta no concelho de Cascais por este meio parece-me matar uma mosca com um canhão. Despesista, megalómano, à lá Satu de Oeiras. Para encher o olho.

Assim, apesar de lastimar profundamente a falta de condições e de adesão à mobilidade ciclista, não me apeteceu apoiar este tipo de iniciativa.

Votei assim no projecto 17, Hortas comunitárias para o concelho.

Peço a todos que façam o mesmo. 

Há imenso potencial para as hortas urbanas de pequena dimensão.



terça-feira, 18 de outubro de 2011

Conversa da treta

Recebi o texto abaixo por email, sem autor.
Não é grande prosa, mas o fim vale pelo todo e vale a pena repeti-lo:





Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?



Pois é bem verdade. Nunca se falou tanto em ambiente. Nem por isso, porém, vejo as pessoas (das várias gerações) dispostas a abdicar seja do que for em nome de um planeta sustentável (já nem falo de bom ambiente). Podia dar exemplos, mas não me apetece.
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"DESABAFO
Na fila do supermercado, o caixa diz uma senhora idosa:
- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigos do meio ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:
- Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com  nosso meio ambiente.
- Você está certo - responde a velha senhora - 
nossa geração não se preocupou adequadamentecom o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes. Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempoSubíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.
Mas você está certo. 
Nós não nos preocupávamos com o meio ambienteAté então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: 
não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, 
não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.
Mas você tem razão: 
não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lámina ficou sem corte. Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só  uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?"

domingo, 16 de outubro de 2011

Parque dos Poetas

Uma homenagem ao aço, à pedra e ao cimento. Um monumento de despesismo e ostentação.




Nao estando obviamente a pôr em causa a construção e existência deste parque, que é uma mais-valia, deviam era ser feitos mais ou maiores parques com o mesmo dinheiro (ou talvez até menos).

E uma parte deles poderia ser ocupado com hortas como esta (em Carcavelos):





Como se pode ver, produzem mesmo alguma coisa, mesmo em pequenas áreas.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Emprego

Passei agora por uma equipa de recolha de lixo dos quintais. Era uma equipa da Câmara Municipal que contava três elementos: dois operários e um motorista do camião.
Os dois operários estavam a carregar as ramagens enquanto o motorista, com o motor desligado (e bem), estava refastelado ao volante, esperando.

O motorista é o que apenas conduz, os outros dois são os que apenas carregam. Nada de confusões nem usurpação de funções.

A mim parece-me que os subsídios de férias e natal dos que estavam a carregar vão pagar em 2012 e 2013 o ordenado do motorista (ou vice-versa, não interessa ao caso).

Como é que estaremos daqui a 2 ou 3 anos, passados estes apertos actuais?
Na mesma, penso eu. Eventualmente repõem-se os vencimentos e os 14 meses, e os três que podiam ser dois continuarão como dantes. Porque estas medidas são horizontais, reduzindo igualmente a todos.

Até podemos querer manter o quase-pleno emprego, como tem sido política nos últimos 20 anos. O que não podemos é querer isso e tudo o resto.
Porque, no limite, colocar uma pessoa a fazer parede e a outra a desfazê-la, gera dois empregos. E parece que até acrescenta o PIB. Mas tem algum interesse?


sábado, 1 de outubro de 2011

sábado, 24 de setembro de 2011

O ciclista em Portugal

Em Portugal o ciclista é um pária. Se chega ou passa de bicicleta, é certamente alguém que não tem recursos para mais. Por isso, cuidado.

Isto não se aplica ao ciclista-desportista, está claro. Esse anda em sítios próprios para o desporto, com equipamento topo de gama e vestido de licra a rigor. Esse ciclista é cool e, em todo o caso, não chateia na estrada e na rua. A bicicleta desse ciclista só se avista normalmente no tejadilho do carro, a caminho do local-apropriado-ao-passeio-desportivo-de-bicicleta. Mesmo que chateie um bocado na estrada, é alguém que está a fazer desporto. E claro, fazer desporto é de longe mais digno que fazer exercício no âmbito da actividade normal. Tal como andar a pé, ou de bicicleta.



O que interessa aqui, é o ciclista-utilitário. E esse, em Portugal, é um pária.




Há uns tempos, levei o carro para a revisão. E como da oficina para o trabalho ainda era uma certa distância, levei a bicicleta para fazer esse percurso rapidamente. Assumi o papel de ciclista-utilitário. Um pária, portanto.



No meu local de trabalho da altura, tinha cartão para entrar de carro na garagem sem pedir a ninguém; se entrava de mota, abriam-me a cancela de acesso sem mais questões, a mota estava autorizada. Porém, quando cheguei de bicicleta, representava algo estranho ou perigoso. Ainda disse que passava o cartão e não se falava mais no assunto. Se tinha autorização para entrar de carro, potencialmente até ocultando pessoas na bagageira, porque não haveria de poder entrar de bicicleta?
Não. Foi necessário obter autorização do chefe e depois o segurança lá me deixou entrar.



É assim em Portugal. O ciclista é um pé-descalço que só anda de bicicleta porque, coitado, não pode ter mais.





sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Trânsito de bicicleta

Ontem o meu filho foi pela primeira vez na sua bicicleta para a escola. E não é um percurso fácil, antes pelo contrário, tem tudo para se andar de carro e não a pé ou de bicicleta.
Vale a pena ler Já podia ser a Holanda?


Quantas mais crianças iriam de bicicleta para as escolas se existissem condições?
Talvez a crise venha ajudar.

domingo, 18 de setembro de 2011

Marginal sem carros

O circo está de novo montado. E eu compareci.
As zonas adjacentes à Marginal estão pejadas de carros, como habitualmente. Andar de bicicleta sim, mas nos locais estritamente destinados ao efeito.





Nem sabia que havia um tão grande número de bicicletas ansiosas por deixarem a arrecadação ou a garagem, onde passam a maior parte da vida.

Não seria preferível utilizar este orçamento para paulatina e anualmente ir implementando uma rede ciclável, essa sim com resultados duráveis no lazer e na mobilidade?
Eu acho que sim.

Eventualmente estes eventos servem para preparar o caminho e as mentes, na opinião pública e em especial na Câmara Municipal.
Oxalá.

sábado, 17 de setembro de 2011

Nuno Crato

Acredito neste Ministro da Educação, pelo que já conhecia do seu pensamento e pelo que o ouço dizer agora. Não me parece ter mudado de opinião agora que faz parte do Governo.


Este ministro é pelo "back to the basics": quais objectivos etéreos para os alunos, quando estes não sabem ler e interpretar um problema? Quais Magalhães se ainda não sabem escrever? Quais Projecto e Estudo Acompanhado (seja isso o que for, confesso que não sei) quando não há suficiente tempo para o Português e a Matemática? Quais princípios duvidosos de educação moderna se os alunos não têm hábito de trabalho e de obrigação?


Vamos ver se a pesadíssima máquina burocrática do ME e os anquilosados e fora de tempo sindicatos do sector falham no previsível boicote.
Bem faziam os professores (pelo menos os bons) em retirarem força aos sindicatos e aproveitarem o que de bom poderá resultar deste Ministro. Os (bons) professores só têm a ganhar com uma política de não-eduquês.



sábado, 23 de julho de 2011

Aqui vou eu, para a Costa

De Lisboa vou fugir, de cacilheiro e bicicleta!









E não sou só eu. Pouco a pouco, com a procura a acompanhar a ainda tímida oferta, cá nos vamos modernizando.
O caminho faz-se andando.











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Da linha de Cascais à Caparica:


• de comboio até à estação de Belém
• atravessar linha e avenida com a bicicleta às costas
• apanhar o cacilheiro até à Trafaria
• usar a pista até à Costa